Estabilizador de Voltagem Vs. Fonte de Alimentação

Quando todos nós compramos um computador, pelo menos aqui no Nordeste, é “preciso” comprar um estabilizador de voltagem. Para rebaixar a tensão para 110 V e também para ter tomadas e ligar os outros aparelhos. Geralmente os vendedores fazem isso para sair ganhando mais na venda. E isso vai acabar decretando o tempo de vida da sua fonte de alimentação!  Nos EUA, por exemplo, onde muitas usinas ainda são de carvão/óleo, este produto não se encontra a venda.  O estabilizador pode causar maiores problemas ao invés de solucionar-los.

Clique no LEIA MAIS >> para entender o risco que os estabilizadores de tensão podem causar.


Um estabilizador de tensão não é nada mais que uma chave seletora de “taps” de um transformador. Ou seja, de acordo com a tensão de entrada, ele altera a chave de saída do transformador para nivelar a tensão que vai para o PC (fonte). Veja um esquema simplificado:


Fonte trabalhando em dobro

De início isso parece ótimo (até eu achava), mas temos um problema rápido aí: o tempo que leva para o estabilizador corrigir a tensão é maior (cerca de três ciclos de rede elétrica) do que o tempo que a fonte leva para fazer o mesmo. Ou seja, a fonte trabalha em dobro, como: quando a tensão varia, a fonte percebe rapidamente e a corrige enquanto o estabilizador está dormindo no tempo. Muito tempo depois o estabilizador regula a tensão e a fonte de alimentação terá que trabalhar NOVAMENTE para corrigi-la, ou seja, esquentando mais e vivendo menos. Se ela  estivesse trabalhando sozinha conseguiria resolver o problema que acontece, por exemplo, quando se liga o chuveiro elétrico ou ar-condicionado, em apenas 20 micro segundos (com a fonte trabalhando a 50khz internamente). E com o estabilizador junto, o tempo é de 50 mili segundos. Praticamente uma eternidade! Entenda as especificações de um estabilizador comum vendido:

Capacitores, termistor e corrente de re-partida

Sabe-se que as fontes de alimentação têm capacitores no interior delas, com funções de manter tensão quando houver um rápido blecaute e também tornar a corrente que vai para a placa-mãe e dispositivos o mais contínua possível. Quando o estabilizador chaveia a tensão, há um mínimo de tempo que a fonte ficará sem alimentação e os capacitores começarão a descarregar. O tempo é curto, fazendo com que eles não descarreguem totalmente. Mas, quando o estabilizador volta a fornecer energia, a corrente recebida pelos capacitores acaba sendo muito alta, e por que: há um belo componente nas fontes chamado de termistor, que limita a corrente no momento em que a fonte (fria) é ligada. Pois com os capacitores descarregados (na partida), a corrente “pedida” seria muito alta e poderia (e acontece) danificar os componentes/aparelhos que vem antes da fonte. Ao esquentar com algum tempo, o termistor baixa a sua resistência e permite com que a corrente passe tranquilamente para os capacitores, mas dessa vez, não será tão alta, pois eles já estarão carregados. Então, voltando ao ponto do re-fornecimento de energia do estabilizador, quando isso acontece, o termistor está quente, pois passou pouquíssimo tempo sem alimentação – eles levam cerca de um minuto para esfriar, por isso às vezes é pedido para que espere um tempo antes de ligar um eletrodoméstico novamente. Na realimentação, o termistor quente deixará passar toda a corrente que for pedida, e como foi visto, os capacitores estão perto de ficarem descarregados, pois ficaram fornecendo tensão para o PC enquanto o estabilizador “trabalhava”. Nesse momento os capacitores levarão uma forte corrente, juntamente com as etapas de entrada, como os diodos, filtros... As fontes são capazes de agüentar essa situação por muitas vezes na vida, mas não para sempre. Fazendo com que elas sejam um dos itens mais trocados nos PCs comuns.  Veja em detalhe a especificação do tempo que a fonte mantém tensão sem alimentação de entrada:


Indutores e a força contra eletro-motriz

Um indutor é uma bobina de fio enrolada que se opõe a qualquer alteração na corrente elétrica. Quando o seu núcleo magnético (gerado pela bobina) sofre uma alteração, induz uma tensão em qualquer condutor imerso no campo. Se você não sabe, este fenômeno e utilizado para gerar uma faísca nas velas dos motores de carros na faixa de 60 a 100 vezes a tensão da bateria, com isso, gerando uma “explosão” e fazendo o motor ligar.

Se você prestar atenção, o transformador é uma espécie de indutor: tem fio enrolado e um núcleo ferromagnético. Quando o estabilizador precisa chavear a tensão, o transformador age como um indutor e gera surtos de tensão para a fonte. Sem nenhuma proteção, vai tudo direto para a mesma. Causando mais um problema para ela que funcionaria bem sem o "amigo" estabilizador.

Apresentamos então três possíveis problemas que já são o suficiente para demonstrar que o estabilizador não é um bom elemento para ficar antes do seu PC na rede elétrica. E veja também que sua TV de 52’’ não tem um estabilizador antes, e ela custa caro! A sua geladeira também, tampouco seu DVD. Então, não faz mal nenhum ligar sua fonte DIRETO NA TOMADA, isso mesmo, sem medo! Ela foi feita para isso, inclusive em 220 V.
Se precisar de tomadas a mais para o monitor, caixas de som, impressora, modem e etc., adquira um bom filtro de linha, mas não aqueles que só servem de extensão.

OBS: toda a teoria e experimentos abordados não foram desenvolvidos por mim, apenas repassei conhecimento que encontrei em sites confiáveis que falaram sobre o assunto. A abordagem técnica foi detalhada e por isso convincente. Confiram:


Sobre o Autor:
Mexa o mouse de novoAleciano Júnior é um dos colunistas do blog Electronware e escreve sobre Redes e Sistemas de comunicação, Hardware e Computação no mundo atual. Gosta de ajudar os bits a trafegarem e sonha com a Computação Invisível. Música é vida.

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